O Uso do Marcapasso Cardíaco e da Fludocortisona no Tratamento da Sincope Neurocardiogênica Maligna
Por Dr. Mitermayer Reis Brito
A sincope neurocardiogênica é uma condição relativamente comum e, na maioria dos casos, apresenta prognóstico benigno. No entanto, existe um subgrupo de pacientes que desenvolve formas mais graves, caracterizadas por episódios intensos de bradicardia ou até assistolia prolongada, configurando a chamada síncope neurocardiogênica maligna.
Diagnóstico
O diagnóstico dessa condição pode ser auxiliado pelo teste de inclinação (tilt test), que permite reproduzir os episódios e identificar respostas anormais. Em casos mais severos, pode ocorrer assistolia superior a 5 segundos, frequentemente sem sintomas prévios de alerta, o que aumenta o risco de traumas e complicações.
Relato de Caso
O artigo apresenta o caso de um paciente jovem, de 21 anos, com histórico de síncopes desde a infância e múltiplas avaliações inconclusivas. Durante o teste de inclinação, foi observada uma assistolia prolongada de 23 segundos, acompanhada de crise convulsiva, confirmando o diagnóstico de forma maligna da doença.
Diversas abordagens terapêuticas foram inicialmente testadas, incluindo medicamentos como betabloqueadores, fludocortisona e teofilina, sem sucesso no controle dos episódios. Diante da refratariedade ao tratamento clínico, optou-se pelo implante de um marcapasso de dupla-câmara como estratégia para prevenir as crises.
A Combinação Terapêutica
Apesar do implante do marcapasso, o paciente ainda apresentou sinais de pré-síncope durante novo teste, evidenciando que o dispositivo isoladamente não era suficiente, principalmente devido ao componente vasodepressor da condição, responsável pela queda da pressão arterial.
A introdução da fludocortisona associada ao marcapasso resultou em melhora significativa. Após essa combinação terapêutica, o paciente não apresentou novos episódios de síncope ou pré-síncope, mantendo-se clinicamente estável e assintomático.
Discussão e Conclusões
Na discussão, os autores destacam que o tratamento da síncope neurocardiogênica maligna ainda é controverso. Embora o marcapasso possa corrigir a bradicardia, ele não atua diretamente sobre a vasodilatação periférica, que frequentemente precede os episódios sincopais.
Conclui-se que, em pacientes selecionados, especialmente aqueles com componente cardioinibitório documentado, a combinação de marcapasso de dupla-câmara com terapia farmacológica pode ser mais eficaz. Essa abordagem integrada pode reduzir significativamente os episódios sincopais e permitir melhor qualidade de vida.
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